sábado, 8 de agosto de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
Recordação de recorrente oposição
Ideal foi-me conhecer-TE,
Sem porém poder sentir-TE.
Ideei também usufruir-TE;
Logrando assim conquistar-TE,
Duvidando aproveitar-TE,
Ainda não quero perder-TE!
Leviana é se me esquecer,
E mais fácil me olvidar!
Muito há para me ensinar;
Ou também me partilhar;
Se o que importa é me viver!
in68GÉNIO algures...
domingo, 15 de março de 2009
...em tempos idos presentemente...
Para mim és essencialmente uma grande amiga, alguém que não quero perder. E que também não quero ver perder-se...
Perder-se não por amar demasiado mas sim por ser dona de sentimentos tão nobres, tão falsamente egoístas que por causa disso não consiga viver intensamente o seu amor!...
Agénio Inepto
Perder-se não por amar demasiado mas sim por ser dona de sentimentos tão nobres, tão falsamente egoístas que por causa disso não consiga viver intensamente o seu amor!...
Agénio Inepto
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
- MARIA -
Maria, que todos conheceM,
aos que em sua volta teceM
raros são os que a mereceM,
ingratos tanto que a entristeceM
outros de intrigas que a envelheceM.
Mas alguns eleitos hÁ
aos quais nunca se recusarÁ;
risos é o que de melhor terÁ,
ignorado jamais se sentirÁ,
aquele que nunca a negarÁ!
Mau grado muito a magoaR,
apesar de o não intencionaR,
ri-se em vez de choraR,
intentando me ensinaR
a sempre viver a cantaR!
Muito sempre lhe devI;
as lições que lhe ouvI,
recomendações que lhe entrevI;
inchado de orgulho fiquei, quando revI,
aqueles momentos que vivI!
Maria, que é alegriA,
a si própria nada queriA.
Recordar a sua sabedoriA,
impregnada de ironiA,
aviva em mim a nostalgiA.
Agénio Inepto
(algures, na pré-adolescência)
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
- Pastoral -
Estendo a minha preguiça no musgo fresco
e entrelaço as mãos apoiando na nuca.
e entrelaço as mãos apoiando na nuca.
Pernas estendidas, cruzo os pés.
Fecho os olhos e esqueço-me.
(Cristo crucificado...)
Vê-se melhor com os olhos fechados.
Pássaros que cantam, esvoaçam, formigas que passeiam
nas minhas pernas,
um lagarto que, perto, corre, pára, mexe-se, quieta-se,
bulhando as folhas secas, inconstante.
(que bicho indeciso!)
O perfume a resina, o aroma dos eucaliptos...
A frescura do musgo e o calor de um intenso raio de sol
que as copas vastas mesmo assim, condescendentes,
deixam infiltrar.
Descerro os olhos e o encanto esvai-se
à medida que a visão subjuga os outros sentidos.
Fecho-os de novo com violência.
Volto a sentir, a sentir-me...
Mas as formigas, desta vez nas mãos, e de natureza diferente...
Formigueiro que me entorpece.
Soergo-me e sacudo os membros energicamente
até que a circulação se normalize.
Gosto mais das outras formigas. Das reais.
Não impedem que sinta, não me adormecem o tacto.
Fazem com que tenha acerteza
que sentir é da minha natureza. Acariciam.
O lagarto, esse foi-se.
Metamorfoseou-se num coelho ou lebre que, não longe,
se apercebe sobre um relvado
(como pantufas sobre alcatifa...).
Mais logo, quando este raio de sol não conseguir mais
intrometer-se na intimidade que o pinhal resguarda,
as aves que cantam e esvoaçam
também se irão.
Virão outras. Mais tímidas, mais lúgubres...
Então será noite.
Este frio de oiro que me aquece será um reflexo de prata.
Estarei aqui ainda quando for essa hora?
Talvez.
Talvez se me esquecer que não posso...
Agénio Inepto
(algures, na pré adolescência)
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
- DACGEE -
A ti dedico, agora,
um momento
em meu pensamento.
Imesurável, de tão curto,
se pensar em outros momentos
que, em saudosos tempos,
te dedicava
com tanta intensidade
e tanta paixão,
como ingenuidade
e adoração!
Oh! Como te amava!
Como te perseguia
meu pensamento,
noite e dia,
incansável,
insaciável,
antevendo o momento
em que te reencontrava!
Estar contigo
era tudo o que desejava.
Ver-te, era um despertar
de sensações,
de desejo, de emoções...
Como o viajante do deserto
que encontra o oásis,
e só então
se apercebe
da dimensão
da sua sede,
também eu,
quando contigo me encontrava,
compreendia
o quão de ti precisava!
A tua presença,
o teu amor,
eram tudo de que dependia!
Eras o meu hábito,
o meu ópio!
Contigo eu era completo!
Rebolávamos
na areia,
brincávamos
nas ondas,
e sentia teus lábios,
salgados
e húmidos
do mar...
No meu ombro, adormecias
e eu
contemplava-te,
com ternura
acariciava-te
e tu sorrias,
como só tu
o conseguias!
Falávamos dos montes,
do seu erotismo;
das estrelas,
do seu enigmatismo;
de longínquos países,
do seu exotismo...
das pessoas,
dos desejos,
dos receios,
dos ídolos...
Ouvíamos Bruckner
e Strauss
e Brahms;
amávamos Mahler!
Fazíamos serão,
embriagávamo-nos,
saíamos para o jardim
e contemplávamos
o espaço celestial...
enebriávamo-nos
de odores,
de ruídos,
de brisas suaves!
Cultivávamos
a noite
e esquecíamo-nos,
extasiados,
a pintar
o luar
com o fumo de um cigarro...
Como a existência
era bela...
e fácil...
Nós e o Universo
bastávamo-nos!
Mas a ferida
que Cupido
em nós abriu,
não foi demasiado profunda
e depressa sarou.
Tu cresceste
e deixaste
que o egoísmo,
a ambição,
a ostentação,
o cinísmo,
te conquistassem...
deixaste
que a juventude,
a ingenuidade,
te abandonassem...
Conheceste
novas pessoas
e seus materialismos,
outros amigos
e seus comodismos,
suas obcessões
por sucessos,
as tentações
dos seus modos de vida...
não cuidaste
que são ilusões
e embarcaste
na vulgaridade das suas
aspirações.
Tornaste-te
em alguém
igual
a outrem...
perdeste a aura
particular,
única,
que te distinguia
qualquer
outra,
que me prendia
à tua imagem
sedutora!
Viveste,
mas não soubeste
usar
o que essa sábia
escola,
a vida,
te instruiu -
- qual biblioteca
empoeirada!? -
- conheceres,
perdeu-te,
afastou-te,
vulgarizou-te...
Cometeres
o pecado original
não foi grave,
mas não
compreenderes
que o fruto
que colheste
da árvore da vida
te deu
a capacidade
de compreenderes
o que é certo,
o que não o é,
e a possibilidade
de escolheres
o que era
e o que é,
ignorares
esta verdade,
é,
sei-o,
negares
a tua vontade.
Resta-me,
agora,
o vazio
da recordação,
da nostalgia,
da resignação,
e a
(inútil?)
esperança
de que,
um dia,
adormeças e voltes
a sonhar,
esqueças a realidade
vã,
vegetativa,
que é a vulgar
existência
e,
de novo,
voltemos a ser habitados
pela inocência
e onirísmo
da nossa
anterior
vivência...
Agénio Inepto
(algures, na pré-adolescência)
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
- Fugacidade do prazer -
Não!
Não quero os teus beijos, carícias,
só a tua atenção.
Não quero os teus abraços, delícias,
só o teu coração.
Não!
Não ouso tocar-te, sentir-te,
é prazer vago, fugaz.
Prefiro olhar-te, ouvir-te,
hora doce que me satisfaz!
Não!
Não sou egoísta ou insensível,
apenas sou vulnerável
à suavidade do prazer invisível!
Agénio Inepto
(algures, na adolescência latente)
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
- Ingenuidade -
No teu olhar de felicidade,
onde a alegria tem seu lar,
vejo às vezes reflectida,
fugaz mas bem sentida,
uma espécie de ansiedade,
uma procura, um desejo, um esperar...
Nesse momento mágico, irreal,
súbito não és mais vulgar...
aureola-te uma luz de eternidade,
de mistério, lucidez, ingenuidade...
adivinha-se em ti um ideal
que não ouso descortinar...
E descubro-me, nessa hora fugidia,
a imaginar-te um outro universo;
um oásis no deserto da existência,
sem ódios e amores; só inocência!
É quando o teu olhar me irradia
a beleza desconhecida do teu inverso...
Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)
No teu olhar de felicidade,
onde a alegria tem seu lar,
vejo às vezes reflectida,
fugaz mas bem sentida,
uma espécie de ansiedade,
uma procura, um desejo, um esperar...
Nesse momento mágico, irreal,
súbito não és mais vulgar...
aureola-te uma luz de eternidade,
de mistério, lucidez, ingenuidade...
adivinha-se em ti um ideal
que não ouso descortinar...
E descubro-me, nessa hora fugidia,
a imaginar-te um outro universo;
um oásis no deserto da existência,
sem ódios e amores; só inocência!
É quando o teu olhar me irradia
a beleza desconhecida do teu inverso...
Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
- Amar -
Tarado, carente e obcecado,
procuro à toa, sem nexo,
em busca do prazer desejado:
o calor, o sabor de um sexo!
Oh! Pecaminoso e fútil desejo!
Que prazer pode ser comparado
à oportunidade, ao ensejo
de poder ter-te a meu lado?
(...)
Delírio de alienado?
Não.
Razão de apaixonado.
Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
- Náufrago -
Oh rochedo distante e vago,
que avisto em meu vaguear
no deserto em que divago
- solidão que é meu mar...
Oh calva e estéril rocha
que a providência, em seu esmerar,
me ilumina com uma tocha
para eu a ti me aportar.
Oh vulgar pedra cinzenta
perdida em meu oceano,
qual predadora atenta
à distracção de um insano.
Oh calhau rude e disforme
que o acaso, tão velador!
me mostra de encanto enorme,
destacado do teu redor!
Porque me atrais, oh vã salvação,
se a tua natureza me nega?
Porque me maravilhas, oh mera ilusão,
se a tua alma é cega?
Sai, rogo-te, do meu horizonte,
para que possa além vislumbrar
outra tábua, ou barco, ou monte
onde, enfim, me possa salvar...
Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)
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