quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

- Desgraça amorosa -

Quando, na tua ingenuidade
a mim teu peito encostas,
pergunto-me se é da idade
ou se é de mim que gostas.

Interrogação que dura pouco,
pois com a mesma graça
te pões ao colo de outro
e este aqui te abraça.

Quem tão à vontade assim
dispensa beijos e atenção,
não repara só em mim
(e só noutro também não).

(...)

Que bom viver o teu,
pois não sabes o sabor
(tão bem o conheço eu!)
das desgraças do amor...

(...)

Nunca beijas com amor,
somente amizade dedicada;
não idealizas com calor,
jamais foste apaixonada!

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

- Alma -

A tua Alma é serva
do teu corpo,
o teu corpo
é escravo dos teus prazeres.
Os teus prazeres
fazem-te ainda mais dependente
do teu trabalho,
do dinheiro,
vileza que condiciona
a tua autodeterminação.
Estás a ser manipulado
pelo que de mais fraco tens:
carne.
O Espírito é muito mais poderoso,
pois prevalecerá
quando o teu corpo sentir
o frio de não existir.
Não queiras condená-lo
a carregar eternamente
o remorso do teu viver
e a sofrer o castigo
do eterno vaguear.
Depressa,
enquanto ainda há alento,
quebrar a cadeia que acorrenta
tua Alma.
Desperta e vive,
não o agora mas o depois,
porque aquilo que julgas ser
finar-se-á,
mas aquilo que verdadeiramente és
não se extinquirá.

Quem te comanda
não se chama vontade;
chama-se cérebro.
Burro!

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)
- Adeus -

Conheci-te;
amei-te.

O meu amor
é assim;
esbanjador.

Dá-se,
e dá-se,
e dá-se...

e não se cansa
de se dar,
e sempre alcança
alguém para amar!

Não cuida este pobre coração,
que tanta generosidade
pode ser em vão...

Oh!
Vive tão enganado!
A pensar que por amar,
por ela é também amado...

Não te iludas mais,
desgraçado!

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)
- Álcool -

Que noite!
Que me escurece a alma...
que enche
de névoas o meu vaguear,
me adormece
em pesadelos...
(ou delírios?)
(...)
E que terrível despertar,
que me atordoa
a vontade...
mil zumbidos
persistentes,
que apagam meu sentir...
Castigo
do espírito,
pelos abusos do corpo...
(...)
nasce-me o sol
da consciência,
mas
continuo
noite...

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)
- Memória -

A memória,
legado amaldiçoado,
é um vácuo
povoado por ideias imutáveis
à espera do desencanto que as anime
em metamorfoses supradimensionais
(...)

Outra côr?
Outro sentir?
Outra música?
Outro saborear?
Outro odôr?
(...)

Não,
porque em si
não passam de ingredientes de ideias...

Esquecer?...
Sim, que é morrer...

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)