terça-feira, 13 de janeiro de 2009

- Náufrago -

Oh rochedo distante e vago,
que avisto em meu vaguear
no deserto em que divago
- solidão que é meu mar...

Oh calva e estéril rocha
que a providência, em seu esmerar,
me ilumina com uma tocha
para eu a ti me aportar.

Oh vulgar pedra cinzenta
perdida em meu oceano,
qual predadora atenta
à distracção de um insano.

Oh calhau rude e disforme
que o acaso, tão velador!
me mostra de encanto enorme,
destacado do teu redor!

Porque me atrais, oh vã salvação,
se a tua natureza me nega?
Porque me maravilhas, oh mera ilusão,
se a tua alma é cega?

Sai, rogo-te, do meu horizonte,
para que possa além vislumbrar
outra tábua, ou barco, ou monte
onde, enfim, me possa salvar...

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)

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