quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

- Fugacidade do prazer -

Não!
Não quero os teus beijos, carícias,
só a tua atenção.
Não quero os teus abraços, delícias,
só o teu coração.

Não!
Não ouso tocar-te, sentir-te,
é prazer vago, fugaz.
Prefiro olhar-te, ouvir-te,
hora doce que me satisfaz!

Não!
Não sou egoísta ou insensível,
apenas sou vulnerável
à suavidade do prazer invisível!

Agénio Inepto
(algures, na adolescência latente)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

- (des)Aparecer -

Apareces,
já não me vou;
ficar, faz sentido.
Desapareces,
já cá não estou;
restar,
é tempo perdido.

Agénio Inepto
(algures, na adolescência latente)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

- Ingenuidade -

No teu olhar de felicidade,
onde a alegria tem seu lar,
vejo às vezes reflectida,
fugaz mas bem sentida,
uma espécie de ansiedade,
uma procura, um desejo, um esperar...

Nesse momento mágico, irreal,
súbito não és mais vulgar...
aureola-te uma luz de eternidade,
de mistério, lucidez, ingenuidade...
adivinha-se em ti um ideal
que não ouso descortinar...

E descubro-me, nessa hora fugidia,
a imaginar-te um outro universo;
um oásis no deserto da existência,
sem ódios e amores; só inocência!
É quando o teu olhar me irradia
a beleza desconhecida do teu inverso...

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

(...)


A minha imaginação não me encontra,
qual rio sem foz...


Agénio Inepto
(algures, na adolescência latente)
- Amar -

Tarado, carente e obcecado,
procuro à toa, sem nexo,
em busca do prazer desejado:
o calor, o sabor de um sexo!

Oh! Pecaminoso e fútil desejo!
Que prazer pode ser comparado
à oportunidade, ao ensejo
de poder ter-te a meu lado?

(...)

Delírio de alienado?
Não.
Razão de apaixonado.

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)
- Solidão -

Que complexo me obtusa,
me impede realizar
o que ouso sonhar?

Que abnegação confusa
me faz perecer
no que faço nascer?

Que eterna recusa
me obriga a repelir
o que de mim faço vir?

Complexo? Recusa? Abnegação?
Não!...
Solidão...


Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

- Náufrago -

Oh rochedo distante e vago,
que avisto em meu vaguear
no deserto em que divago
- solidão que é meu mar...

Oh calva e estéril rocha
que a providência, em seu esmerar,
me ilumina com uma tocha
para eu a ti me aportar.

Oh vulgar pedra cinzenta
perdida em meu oceano,
qual predadora atenta
à distracção de um insano.

Oh calhau rude e disforme
que o acaso, tão velador!
me mostra de encanto enorme,
destacado do teu redor!

Porque me atrais, oh vã salvação,
se a tua natureza me nega?
Porque me maravilhas, oh mera ilusão,
se a tua alma é cega?

Sai, rogo-te, do meu horizonte,
para que possa além vislumbrar
outra tábua, ou barco, ou monte
onde, enfim, me possa salvar...

Agénio Inepto
(algures na adolescência latente)